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Dólar fecha em alta e volta ao patamar de R$ 3,90

16 de Abril, 2019 | Brasil e Mundo | Economia e Trabalho | G1

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (16), após adiamento da votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e monitorando a reunião entre membros do governo e a Petrobras após intervenção no reajuste do preço do diesel no fim da semana passada. A alta veio ainda na esteira da força da moeda norte-americana nos mercados externos.

A moeda norte-americana terminou o dia vendida a R$ 3,9017, com alta de 0,86%. Veja mais cotações. Na máxima do dia, chegou a R$ 3,9077. "O mercado está trabalhando com respingo do centrão e do pessoal aliado à oposição barrando a votação da admissibilidade (da PEC da reforma da Previdência). Não traz um bom ânimo. É preciso lembrar que isso estava para ser visto antes do Carnaval", afirmou à Reuters o operador de câmbio da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

A votação da admissibilidade da reforma da Previdência na CCJ ficou para a semana que vem, disseram líderes na segunda-feira, após terem selado um acordo que permitirá que a proposta seja discutida sem turbulências. Na véspera, após uma inversão da pauta, que inicialmente trazia a Previdência como primeiro item, os deputados da comissão aprovaram a PEC do Orçamento impositivo, que seguirá agora para uma comissão especial antes de ser enviada ao plenário da Câmara.

O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse que as sessões desta terça e quarta-feiras serão dedicadas a debater a reforma na CCJ, para então se avaliar o cenário após o feriado da Páscoa. Um outro item da agenda que concentra a atenção de investidores é a reunião entre o governo e a Petrobras, quando a petroleira deve dar uma explicação sobre o aumento do diesel anunciado na semana passada e cancelado após intervenção do presidente Jair Bolsonaro.

"O investidor estrangeiro não é adepto a nenhum tipo de interferência do governo em estatais, isso levanta dúvidas sobre quão liberal é o governo", explicou Faganello à Reuters. Na avaliação dele, os mercados devem se acalmar se houver uma sinalização contundente da parte do governo de que não há ou haverá uma política intervencionista na estatal.

Cenário externo

No exterior, há elevado apetite por risco, impulsionado por otimismo ligado às negociações comerciais entre Estados Unidos e China e dados chineses positivos, que amenizam temores de desaceleração na economia do país asiático. "Não fosse o relativo bom humor externo, onde BCs cautelosos e otimismo no âmbito comercial embasam busca por risco, este último muito provavelmente estaria mais próximo de 4,00 reais do que no atual patamar", avaliou a corretora H.Commcor em nota.

De forma geral, divisas consideradas de risco lideravam as quedas nesta sessão, num dia de dólar em alta generalizada após notícias de que autoridades do Banco Central Europeu (BCE) consideram as projeções econômicas do banco "excessivamente otimistas".

Atuação do BC

O Banco Central vendeu o lote integral de 5.350 contratos de swap cambial tradicional ofertados nesta terça-feira em operação de rolagem do vencimento maio. Em 12 leilões neste mês, o BC já vendeu US$ 3,210 bilhões nesses contratos. O lote a expirar em 2 de maio é de US$ 5,343 bilhões.