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Em meio a alta do dólar, BC mantém juros em 6,5% ao ano e encerra série cortes

16 de Maio, 2018 | Brasil e Mundo | Economia e Trabalho | G1

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Em uma decisão que surpreendeu o mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (16), a manutenção da taxa básica de juros da economia em 6,5% ao ano. Com a medida, o Copom colocou fim a um ciclo de 12 cortes consecutivos na Selic, que se iniciou em outubro de 2016.

Na ata da última reunião, em março, o Copom havia sinalizado um corte “moderado” nos juros na reunião de hoje, caso o cenário econômico evoluísse conforme o esperado. Por isso, grande parte dos analistas financeiros apostava em um corte de 0,25 ponto percentual.

Definição da taxa básica de juros

A definição da taxa de juros pelo Banco Central (BC) tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). 

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%. Mas o sistema permite uma margem de tolerância e a meta não será, formalmente, considerada descumprida caso fique entre 2,5% e 6,5%. O mercado financeiro projeta uma inflação de 3,45% ao final do ano.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. Por outro lado, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. A expectativa é que a subida da taxa também eleve os juros cobrados pelos bancos, ou seja, que o crédito fique mais caro e, com isso, freie o consumo, fazendo a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego

Outro fator relevante para a alta dos juros, são os efeitos da desvalorização do real frente ao dólar, como tem acontecido nos últimos dias. Isso porque os produtos, insumos e serviços importados ficam mais caros, gerando pressões inflacionárias. Por isso, o Copom analisa que precisa agir para impedir a disparada dos preços.

Efeitos da Selic na economia

A taxa básica influencia os juros praticados pelos bancos. No entanto, apesar da trajetória constante de queda e da mínima histórica da Selic, as taxas cobradas dos clientes seguem em patamar muito elevado. Em março (dado mais recente), a taxa média do cheque especial era de 324,7% ao ano, e do cartão de crédito rotativo, de 334,5% ao ano.

A Selic também é utilizada para definir o rendimento da poupança. Quando a taxa está abaixo de 8,5% ao ano, a correção anual das cadernetas equivale a 70% desse patamar, mais Taxa Referencial. Essa fórmula foi definida pelo governo para impedir que a poupança se tornasse um investimento mais atrativo do que outros utilizados por grandes investidores. Com o corte anunciado hoje, o rendimento das cadernetas também cai e passa a ser de 4,375% ao ano, mais Taxa Referencial.