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Retomada da economia na América Latina só é possível com controle de contágio

31 de Julho, 2020 | Brasil e Mundo | Economia e Trabalho | G1

A retomada da economia na América Latina depende do achatamento da curva de contágio pelo novo coronavírus. É o que diz trabalho divulgado em conjunto nesta sexta-feira (31) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

As entidades estudaram os efeitos da crise na região e publicaram as conclusões no relatório "Saúde e economia: uma convergência necessária para enfrentar a Covid-19 e retomar o caminho para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe". A expectativa é de queda de 9,1% para o PIB do agregado de países, segundo as projeções da Cepal, e terão dificuldade de se recuperar enquanto a abertura econômica não for robusta. São economias com alto grau de informalidade, baseadas no comércio e serviços.

Ao mesmo tempo, contudo, uma recuperação sustentável depende de que novas ondas de contágio pelo vírus não tenham repiques e forcem fechamento das operações – além do custo em vidas das novas ondas de mortalidade. Para a Opas e a Cepal, o alto grau de desigualdade e pobreza, somados a políticas limitadas de proteção social à população vulnerável, deveriam estar no topo das prioridades para os países da região.

A solução seria uma junção de políticas adequadas de atendimento médico, rastreamento de contatos e testes articuladas em conjunto com programas de assistência econômica para regiões que precisem fazer isolamento social rígido. “Avançar na igualdade é fundamental para o controle eficaz da pandemia e para uma recuperação econômica sustentável na América Latina e no Caribe. Devemos atender à emergência e implementar uma estratégia para superar as debilidades estruturais das economias e sociedades”, afirmou Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da Cepal.

O relatório traz ainda projeções de aumento do desemprego, que atingiria uma taxa de cerca de 13,5% na América Latina e Caribe, além de um aumento da taxa de pobreza de 7 pontos percentuais, chegando a 37,3% da população e aumento do índice de Gini, que mede desigualdade, de 4,9 pontos percentuais. Sem uma melhora nas medidas de contenção, o cenário pode se transformar em uma "crise alimentar e humanitária".

A média de gasto público em saúde alcança apenas em média, 3,7% do PIB, de acordo com o trabalho. A Opas recomenda como base 6% do PIB alocados para o momento de emergência.