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Um plano para a conversão da economia à era do baixo carbono

25 de Agosto, 2021 | Acontece nas Casas | CNI | FIEMS | CNI

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Robson Braga de Andrade*

A pandemia de Covid-19 e o aumento da frequência de fenômenos extremos —como a onda de frio intenso no Brasil, o calor recorde no hemisfério norte e as enchentes na Europa— reforçaram as preocupações com as mudanças climáticas. Os prejuízos econômicos e sociais deixados pelos desastres ambientais exigem ações de prevenção e de adaptação a esses eventos. Também desafiam os países e as empresas a adotarem estratégias ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Essas medidas são fundamentais para o cumprimento do Acordo de Paris e para a construção de um mundo mais sustentável —temas que serão discutidos na COP26, a conferência das Nações Unidas sobre o clima, marcada para novembro, em Glasgow, na Escócia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vem acompanhando as negociações para a COP26, pois as ações do setor produtivo são decisivas para o êxito do combate ao aquecimento global.

No Brasil, há inúmeras iniciativas empresariais nessa direção. Entre elas, está o Instituto Amazônia+21, um empreendimento da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) e da CNI. A entidade, criada recentemente, desenvolverá projetos empresariais que combinem a conservação da floresta com o crescimento econômico e a geração de emprego e renda naquela região.

A indústria também vem fazendo investimentos expressivos na descarbonização. As emissões de gases de efeito estufa dos fabricantes de cimento instalados no país são 11% inferiores à média mundial. O setor de papel e celulose, que destina 9 milhões de hectares ao cultivo de árvores para fins industriais, preserva outros 5,9 milhões de hectares de florestas nativas. Em uma década, as indústrias químicas reduziram em 44% as emissões de gases de efeito estufa.

Entretanto, ainda falta ao Brasil um projeto nacional que consolide a economia de baixo carbono. Esse plano deve se basear em quatro pilares. O primeiro é a transição energética, que requer a expansão do uso de fontes renováveis, o reconhecimento da importância dos biocombustíveis e o estímulo ao consumo racional de energia.

O segundo é a precificação do carbono e a adoção de um mercado baseado no sistema “cap and trade”, em que empresas com volume de emissões inferior ao autorizado podem vender o excedente para as que lançam uma quantidade maior de gases de efeito estufa na atmosfera. Isso estimulará os investimentos em tecnologias limpas.

O terceiro ponto desse plano é a economia circular, que privilegia a reciclagem para reduzir a demanda por recursos naturais e outras matérias-primas. Atualmente, o Brasil reaproveita quase 400 mil embalagens de vidro ao ano e recicla 56% dos produtos de alumínio e 97% das latas de bebidas. Valorizar as práticas de reaproveitamento de resíduos e outros materiais é fundamental para o futuro do planeta.

O quarto pilar é a conservação das florestas. Isso requer uma ação mais efetiva de combate ao desmatamento ilegal e das queimadas, sobretudo na Amazônia, que ocupa quase metade do território nacional e tem grande influência sobre o clima.

A expressiva área coberta por florestas, a rica biodiversidade e a maior reserva de água doce do mundo são características naturais que favorecem o Brasil na corrida pela economia verde. O país também se destaca pela matriz energética limpa. As fontes renováveis têm uma participação de 83% na geração brasileira de energia elétrica, muito acima da média de 27% registrada nos países ricos.

Para aproveitar melhor essas vantagens, o Brasil deve definir, com urgência, uma estratégia nacional sólida para o enfrentamento dos desafios climáticos. Com uma ação governamental articulada, associada ao trabalho feito pela indústria, o país pode liderar a mobilização global pela economia de baixo carbono. A revolução verde, que está transformando hábitos de consumo e métodos de produção em todo o planeta, também pode mudar, para melhor, o futuro dos brasileiros.

*Robson Braga de Andrade é presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)