Muito além do nome e do momento histórico que unia os territórios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os dois maiores estados do centro-oeste seguem compartilhando similaridades, realidades e demandas. Com ênfase nas oportunidades e desafios conjuntos aos estados irmãos da região central do Brasil, especialmente em relação à indústria e setores produtivos locais, representantes da Fiems, Fiemt, governos estaduais, sindicatos e empresários realizaram diversas reuniões e treinamentos, abordando também possíveis parcerias e pontos de intercâmbio de experiências.
O superintendente da Fiems, Luiz Fernando Buainain, descreve os detalhes do encontro. “Uma equipe grande participou aqui na Fiems, com representantes como os presidentes dos sindicatos do setor de energia e do setor automobilístico, além do superintendente da Fiemt. Eles falaram sobre temas como sustentabilidade, ESG, sobre lixo zero, carbono neutro... Todo esse arcabouço é importante para a Fiems em termos de desenvolvimento das nossas indústrias. Foi bastante produtivo, nós aprendemos com eles e eles aprenderam conosco”.
Lucas Barros, superintendente da Fiemt, viu nas reuniões uma oportunidade para articulações duradouras entre as instituições. “Uma das ações conjuntas que estamos estruturando é uma abordagem com parlamentares, levando as demandas comuns que nós temos enquanto centro-oeste”, conta. “Um dos encaminhamentos também seria a aproximação com a Federação de Goiás (Fieg) e com os governos dos estados. Muito mais do que uma agenda técnica, nós saímos daqui com planos de trabalho em uma aproximação muito promissora”.
As atividades de intercâmbio reuniram também representantes dos dois governos estaduais para abordar temas como energia e transição energética, como a coordenadora de transição energética Mamiule Siqueira, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc–MS), e a secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, Linacis Silva, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT). Linacis citou a existência de programas similares na área energética entre os estados como o MS e MT Trifásico, que buscam ampliar a estrutura física da rede elétrica no meio rural para aumentar a produtividade, fortalecer a competitividade do setor produtivo e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
“Temos várias pautas de interesses comuns, demandas próximas tanto de Mato Grosso quanto de Mato Grosso do Sul e Goiás. Então, é realmente importante fortalecer essa agenda conjunta”, descreve. A coordenadora Mamiule complementa: “nossos dois estados já produzem energia elétrica renovável suficiente para exportação. Agora, precisamos fazer sua distribuição da maneira mais eficiente possível, de forma a manter o equilíbrio do sistema elétrico”. Linacis sugeriu, ainda, a atuação em “bloco”, unindo os estados no bloco do centro-oeste brasileiro, por exemplo, como forma de ampliar o impacto das parcerias e atuações institucionais.
Entre os sindicatos e representantes setoriais, participaram das rodas de conversas entidades como a Biosul de MS e o Sindenergia e Sindirepa de MT, representando os setores produtivos de biocombustíveis, energia e manutenção automotiva, respectivamente. “A cada 2 litros de etanol produzidos no Brasil, pelo menos um deles vem do centro-oeste. Essa é a força desse segmento na nossa região, a força da produção desses estados. Esses encontros ajudam a potencializar esse trabalho porque temos desafios compartilhados, seja em infraestrutura, logística ou demanda de mão-de-obra qualificada. Mas todos esses desafios, quando trabalhados em conjunto, ajudam a fortalece o sistema industrial e a alcançar os melhores resultados possíveis no cenário nacional”, relata Érico Paredes, diretor técnico de sustentabilidade da Biosul.
Nesse sentido, o presidente do Sindicato das Indústrias de Energia do Estado de Mato Grosso (Sindenergia), Carlos Garcia, cita alguns projetos semelhantes nos dois estados que buscam contrapor esses desafios. “Temos uma iniciativa no Mato Grosso, o Planejamento Energético, e vimos que vocês estão com um trabalho similar em MS. Então, estamos trocando experiências para que a gente possa fazer um estudo que venha a agregar para ambas as regiões”. Reny Maltezo, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios de MT, demonstrou interesse nos cases de sucesso na área de sustentabilidade que já estão em andamento em empresas e indústrias sul-mato-grossenses.
“Eu vim conhecer como vocês estão fazendo processos como esses funcionarem. A gente começou a aplicá-los há pouco tempo e encontrou alguns gargalos, então a ideia é buscar esse treinamento”. Para Reny, os maiores desafios para a adoção de processos sustentáveis residem em questões como o reaproveitamento de materiais. “Uma coisa interessante que vimos aqui tem relação com as empresas que já possuem certificados em ESG (critérios ambientais, sociais e de governança que medem o impacto ético, socioambiental e administrativo das empresas). Elas conseguiram viabilizar essas práticas de uma forma que isso já vira retorno financeiro. Nossa intenção é aproveitar essas informações e fazer com que os nossos empresários também vejam que sustentabilidade não é só conservação, mas que ela pode gerar lucro também”.
Entre os encaminhamentos acordados após as rodadas de reuniões, encontros e treinamentos, os superintendentes da Fiemt e Fiems deverão articular uma aproximação com a Federação das Indústrias de Goiás, buscando também reunir representações governamentais e empresariais dos três estados, assim como do Distrito Federal, para articular a atuação institucional conjunta do bloco do centro-oeste brasileiro.