Curadoria, pesquisa histórica, trilhas sonoras inéditas e intervenções artísticas transformam a trajetória do Sesi em uma experiência imersiva que conecta passado, presente e futuro da indústria
Quando os visitantes entrarem na exposição “Sesi 80 anos: Indústria em Movimento – Do trilho ao bit”, poderão embarcar em uma viagem pela história de Mato Grosso do Sul e do Serviço Social da Indústria (Sesi) ao longo de quase oito décadas. Mas o que poucos verão é o extenso trabalho de pesquisa, criação artística e produção que aconteceu nos bastidores para transformar documentos, fotografias e memórias em uma experiência única, capaz de despertar os sentidos e a curiosidade do público.
Montada no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande, a mostra reuniu profissionais de diferentes áreas em um projeto desenvolvido integralmente por talentos sul-mato-grossenses. O trabalho começou a partir de uma investigação sobre a chegada do Sesi ao então sul de Mato Grosso, em 1948.
Segundo a curadora da exposição, Thais Pompeo, a equipe mergulhou em arquivos históricos, publicações antigas e relatos de personagens ligados à trajetória da instituição. O objetivo era reconstituir um período pouco conhecido da história local.
“Poucas pessoas sabem que o Sesi atua aqui desde 1948. Então fomos atrás dessa história, pesquisando documentos, fotografias e personagens que ajudaram a construir essa trajetória para entender também que Campo Grande era aquela que recebeu o Sesi logo após sua criação”, explica.
A pesquisa revelou personagens marcantes, como Oliva Enciso, responsável por trazer o Sesi para Campo Grande e uma das figuras mais importantes da educação sul-mato-grossense no século passado. Também trouxe à tona episódios pouco conhecidos da relação entre a instituição e o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Uma exposição para ouvir, sentir e descobrir
Embora o acervo histórico seja um dos pilares da mostra, a proposta foi ir além da simples exposição de documentos. A equipe apostou em recursos visuais, intervenções artísticas e uma construção sonora especialmente criada para cada ambiente.
Responsável pelo sound design da expografia, Guilherme Cruz desenvolveu trilhas inéditas para acompanhar o visitante ao longo do percurso. A composição sonora procura recriar a Campo Grande do início do Século XX até os dias atuais.
“Você escuta a cidade surgindo. Há sons do cotidiano, dos trilhos sendo instalados, da Maria Fumaça chegando. Aos poucos, tudo vai se transformando até chegar a uma cidade movimentada e pulsante”, conta o compositor.
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A equipe também pesquisou acervo fonográfico para construir uma experiência baseada em referências reais da época, combinando locuções, músicas e elementos que transportam o visitante para outro momento da história.
Sem revelar todas as surpresas preparadas para o público, os organizadores adiantam que cada núcleo possui uma identidade própria e elementos capazes de provocar diferentes sensações ao longo da visita.
Cartas escritas por estudantes ajudam a imaginar o futuro
Um dos momentos mais emocionantes da exposição nasceu a partir da participação de alunos das escolas do Sesi.
Com base em redações produzidas por estudantes de diferentes idades, a equipe criou uma narrativa coletiva sobre expectativas, sonhos e desejos para os próximos anos. Os textos deram origem a uma experiência sonora construída a partir das próprias vozes dos alunos.
“É como uma grande colcha de retalhos formada por diferentes pensamentos sobre o futuro. Quando tudo se junta, surge uma mensagem muito bonita”, resume Guilherme Cruz.
A proposta dialoga com um dos temas centrais da exposição: a relação entre educação, transformação social e desenvolvimento industrial.
Arte, pesquisa e criatividade local
A construção da expografia também mobilizou arquitetos, designers, artistas visuais, cineastas e produtores culturais de Mato Grosso do Sul.
Entre eles estão o arquiteto e artista Bruno Atra, responsável por transformar o hall da Casa da Indústria em diferentes ambientes expositivos; o artista Elder Severino, que desenvolveu intervenções delicadas utilizando papel e referências históricas; o diretor audiovisual Conrado Roel, que colaborou na criação dos conteúdos em vídeo; e o produtor cultural Francisco Simão, responsável pela coordenação geral da exposição e analista técnico na Gerência de Educação e Cultura do Sesi.
Para Thais Pompeo, um dos diferenciais do projeto está justamente na valorização da produção cultural local.
“Temos uma equipe extremamente talentosa. Todas as pessoas envolvidas são daqui e contribuíram para transformar a pesquisa histórica em uma experiência sensível e envolvente”, destaca.
O resultado é uma exposição que apresenta parte da trajetória do Sesi e da indústria sul-mato-grossense sem entregar todas as respostas de imediato. Em vez disso, convida o público a percorrer cada ambiente, descobrir histórias pouco conhecidas e refletir sobre os caminhos que conectam os trilhos do passado aos desafios do futuro.
Serviço
Exposição: Sesi 80 anos – Indústria em Movimento: Do trilho ao bit
Visitação pública: de 8 a 17 de outubro de 2026
Horários: em dias úteis, das 8 às 18 horas; aos finais de semana e feriados, das 10 às 18 horas
Local: Casa da Indústria - Avenida Afonso Pena, 1206, Campo Grande
Entrada: Gratuita
Agendamento para grupos: https://sistemafiems.sesims.com.br/expografia-sesi-ms-80-anos
Realização: Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Sistema Fiems / Serviço Social da Indústria (Sesi-MS)
Sobre o Sesi
Criado em 1946, o Sesi atua na promoção da saúde, educação, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores da indústria e de suas famílias. Em Mato Grosso do Sul, a instituição mantém escolas de educação básica em oito municípios, está presente em 45 cidades por meio das Bibliotecas da Indústria do Conhecimento e conta com um Centro de Inovação em Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, reforçando sua atuação em favor do desenvolvimento industrial e social do Estado.