"O novo polo do Brasil" - artigo do presidente da Fiems, Sérgio Longen


Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, Sérgio Longen destaca que a experiência de Mato Grosso do Sul pode servir de base para uma nova agenda nacional de desenvolvimento

Em um momento em que o país enfrenta desafios, Mato Grosso do Sul segue na direção oposta. O estado vem ampliando sua base industrial, atraindo novos empreendimentos e agregando valor às cadeias produtivas que sempre o sustentaram, em um movimento que já produz resultados e aponta para uma transformação ainda maior até o fim da década. 

Há quase 20 anos à frente da Fiems, posso afirmar que nada disso aconteceu por acaso. Desde o início, defendemos uma agenda de desenvolvimento baseada na agregação de valor, na industrialização e na articulação entre setor produtivo e poder público. Não foi um caminho fácil. Exigiu energia, persistência e um trabalho contínuo de articulação que permitiu a construção de um ambiente de negócios favorável. 

Os dados ajudam a dimensionar o impacto. O PIB estadual saiu de R$ 25,7 bilhões, em 2007, para R$ 200,6 bilhões em 2025. Já o PIB industrial, que fechou 2025 em R$ 45,8 bilhões, tem previsão de chegar a R$ 63,9 bilhões em 2029, um crescimento nominal médio de 8,7% ao ano, segundo estimativas do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). 

A economia local deixou de ser associada apenas à potência agropecuária, com as atividades do campo passando a alimentar um setor cada vez mais diversificado. Para se ter ideia, o valor da transformação industrial aumentou 179% em dez anos, a maior expansão entre os estados brasileiros, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Mato Grosso do Sul lidera hoje a produção nacional de celulose, com 28% do total, e é o segundo maior produtor de etanol de milho. Frigoríficos, usinas de bioenergia e unidades de processamento de soja completam um parque que responde por 25% dos empregos formais e por 73% da receita de exportação do estado. Ao todo, são mais de US$ 7,8 bilhões em produtos industriais vendidos a 153 países. 

Nesses 20 anos, a Fiems trabalhou para que o setor industrial conquistasse voz na definição das prioridades; o poder público passasse a compreender melhor as necessidades de quem investe e produz; e o estado criasse condições concretas para que novos empreendimentos chegassem e se consolidassem. Essa convergência trouxe previsibilidade a quem decide instalar uma fábrica de bilhões de reais, com retorno calculado. Hoje, Mato Grosso do Sul é o estado que mais recebe incentivos privados do país. 

Nos projetos estratégicos entre 2023 e 2030, a indústria sul-mato-grossense soma mais de R$ 115 bilhões, com potencial para gerar ao menos 18 mil empregos diretos na operação. Cerca de R$ 27 bilhões já foram concluídos e outros R$ 90 bilhões estão em execução ou previstos, com empreendimentos que consolidam a diversificação econômica em indústrias de mineração, fertilizantes, fármacos, bioenergia e agroindústria. 

Alguns desafios, contudo, ainda existem. A Rota Bioceânica, que ligará o Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico por Paraguai, Argentina e Chile, abre uma nova fronteira comercial, mas ampliar a infraestrutura logística e formar mão de obra qualificada no ritmo dos investimentos exigirão a mesma articulação entre governo e setor produtivo que trouxe o estado até aqui. 

Nessas duas décadas participando ativamente de cada etapa dessa construção, acredito que o principal aprendizado do nosso estado não está apenas nos resultados, mas também no método. Em um país que busca retomar o crescimento e tornar sua indústria mais competitiva, a experiência de uma região que foi contra a corrente e escolheu transformar sua vocação agropecuária em valor industrial pode servir de base para uma agenda nacional. 

 

*Sérgio Longen é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).

O ARTIGO FOI PUBLICADO NO JORNAL VALOR ECONÔMICO, NESTA QUARTA-FEIRA (07/10/2026)






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