Durante o 32º SINPEL, em Campo Grande, lideranças apresentam o avanço do setor e a atuação do Sistema Fiems em apoio às demandas das indústrias
A expansão da indústria de papel e celulose vem transformando a economia de Mato Grosso do Sul, com reflexos na geração de empregos, nas exportações, na atração de investimentos e no desenvolvimento dos municípios do interior.
O protagonismo do segmento foi destacado nesta quinta-feira (17/09), em Campo Grande, durante a abertura do 32º Simpósio Intersindical de Negociações Coletivas das Indústrias de Celulose, Papel, Papelão e Artefatos (SINPEL).
O evento reúne presidentes, executivos, negociadores e representantes de sindicatos patronais de diferentes regiões do país para debater relações trabalhistas, negociações coletivas, competitividade, produtividade, inovação e os desafios de uma cadeia industrial cada vez mais conectada ao mercado global.
Na abertura do encontro, o presidente do Sinpacems (Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Estado de Mato Grosso do Sul), Élcio Trajano Júnior, apresentou um panorama do crescimento do segmento para dar a dimensão econômica e social dessa transformação.
Segundo ele, as empresas representadas pelo sindicato reúnem mais de 20 mil postos de trabalho no Estado. O setor também responderia por cerca de 10,7% da economia estadual.
O avanço do setor também pode ser observado na pauta exportadora de Mato Grosso do Sul. De acordo com os números apresentados no simpósio, a celulose encerrou 2025 na liderança das exportações estaduais, com 5,8 milhões de toneladas enviadas ao exterior e participação de 29,32% na balança comercial do Estado.
Protagonismo nas exportações
A cadeia reúne duas atividades complementares. De um lado, está a base florestal, responsável pelo cultivo do eucalipto e pela geração de empregos no campo. De outro, encontra-se a indústria de transformação, que utiliza a matéria-prima para produzir celulose destinada aos mercados nacional e internacional e, posteriormente, à fabricação de papéis, embalagens e outros produtos.
Essa integração fortalece a capacidade de Mato Grosso do Sul de produzir, industrializar e agregar valor à matéria-prima dentro do próprio território.
Élcio Trajano ressaltou que o Estado já conta com grandes operações em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, além de novos projetos em implantação ou planejamento em municípios como Inocência e Bataguassu. A projeção do Sinpacems é que a capacidade de produção de Mato Grosso do Sul poderá alcançar 16,6 milhões de toneladas com a entrada em operação dos empreendimentos anunciados ou licenciados.
Empregos qualificados e salários mais elevados
A geração de empregos é um dos principais efeitos do avanço industrial. Élcio Trajano afirmou que os empregos formais da indústria de Mato Grosso do Sul cresceram 20% em dez anos, alcançando aproximadamente 160 mil postos. No segmento de celulose, foram registradas quase 16 mil admissões em 2025, segundo o presidente do Sinpacems.
Segundo ele, as empresas já desenvolvem iniciativas em parceria com Sesi, Senai e IEL para ampliar a oferta de cursos e formações voltadas à cadeia produtiva. No entanto, a demanda segue crescendo e exige atuação conjunta das indústrias, do poder público, das instituições de ensino e das entidades de representação empresarial.
Sistema Fiems acompanha expansão do setor
Representando no evento o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o vice-presidente Crosara Júnior destacou que a Federação, por meio de Sesi, Senai e IEL, está à disposição das empresas para apoiar as diferentes etapas desse processo de crescimento.
Ele lembrou que a Fiems acompanha há anos o desenvolvimento da cadeia de base florestal, contribuindo para estudos sobre potencial produtivo, infraestrutura e logística. Entre as iniciativas mencionadas está o trabalho realizado para mapear as rodovias e identificar rotas e capacidades necessárias ao escoamento da produção industrial.
“Esse conjunto de pessoas e instituições trabalhando ajudou na prosperidade de um setor que tem transformado Mato Grosso do Sul. É um segmento que chegou forte e trouxe, junto com ele, diversas outras atividades”, afirmou Crosara Júnior.
Segundo o vice-presidente, o Sistema Fiems dispõe de estruturas capazes de atender às necessidades das empresas e dos trabalhadores. O Senai atua na educação profissional, na formação técnica, na tecnologia e na preparação da mão de obra requerida pelas novas plantas industriais. O Sesi contribui com educação, saúde, segurança do trabalho e qualidade de vida. Já o IEL apoia o desenvolvimento de talentos, a aproximação entre empresas e profissionais e o fortalecimento da gestão industrial.
Essa atuação ganha importância nos municípios que recebem grandes empreendimentos. Além de preparar trabalhadores para as vagas, é necessário oferecer educação de qualidade às famílias que se deslocam para essas localidades, apoiar a saúde e a segurança dos empregados e criar condições para a retenção de profissionais.
“Precisamos colocar dinheiro na educação para atender à indústria. Temos de oferecer uma escola de qualidade para os filhos dos profissionais que vão trabalhar nessas cidades”, disse.